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Este ano, o povo do Cone Sul da América vai celebrar a 24ª edição do Musicanto Latino-Americano de Nativismo. O evento acontecerá nos primeiros dias do mês dezembro, mas, já se podem escutar os sons difusos dos tambores de muitas nações, que adornados de auroras, iniciam um ritual de saudação a todos brasileiros, argentinos, uruguaios, paraguaios, chilenos, enfim, a todos que vierem das mais longínquas terras deste continente, para ouvir em comunhão, os diferentes ritmos e sonhar os mais diversos sonhos de justiça e fraternidade.

Em Santa Rosa, desde 1983, centenas de artistas se reúnem a cada ano para cultuar o que de melhor e mais representativo existe na música nativa sul-americana, proporcionando a milhares de espectadores, um grande mutirão de arte, beleza e poesia.

A ousadia de realizar esse projeto cultural em Santa Rosa nos colocou no alto da representação musical latino americana. Nesse território os símbolos artísticos passaram a ser discutidos nos mais diversos espaços públicos: nas escolas, nas praças , nas ruas... evidenciando a capacidade que a música tem em potencializar nas pessoas identificações estéticas, sociais, políticas e econômicas. A música não tem fronteiras, nem limites étnicos ou ideológicos. É um patrimônio da humanidade que por ser universal pertence a todos.

O MUSICANTO se caracteriza por ser um festival essencialmente democrático. Nesta ocasião, concorrentes dos mais diferentes rincões da América do Sul têm passe livre para apresentar as suas criações. A música é o elemento primordial para o qual convergem todas as atenções, reunindo pessoas de todas as classes sociais, credos e cores, sedimentando relações simbólicas, que requalificam a vida dos indivíduos, da localidade e da comunidade circunscrita a essas manifestações.

Há muito tempo, antes de quaisquer tratativas políticas e econômicas que vão culminar com a criação do MERCOSUL, a integração latino-americana era sonhada por um jovem músico, Luis Carlos Borges, natural de São Luis Gonzaga e residente em São Borja que sonhava em seus sonhos de poeta, a realização de um festival que incentivasse novas tendências musicais, e buscassem novas formas na música gaúcha e latino- americana, além de inovar os festivais realizados no Estado.

No distante ano de 1983, as idéias de Luis Carlos Borges vão encontrar apoio em Santa Rosa nas pessoas do prefeito Erni Friderichs, de Hary Heinze e de Aquiles Giovelli.

Foram muitos os eventos que deixaram marcas no coração e na memória de todos os que acompanham o Musicanto. Em 1984, quando da realização do 2º festival , contamos com a presença de Mercedes Sosa, um ícone da música latino-americana. A sua apresentação aconteceu no Estádio Municipal Carlos Denardin. Apesar da chuva fina que caia, foi um grande espetáculo com a presença de um público estimado em 10.000 pessoas.

A partir do 7º Musicanto, ocorrido em 1989, a música instrumental passou a ocupar espaço no festival. Na 9ª edição, uma composição musical vinda de São Paulo, venceu o festival. Tratava-se de uma canção em homenagem ao grande compositor gaúcho Lupicínio Rodrigues.

Em 1993, o evento foi marcado pela participação de composições internacionais. Músicos vindos da Argentina, Chile e Paraguai passaram a fazer parte do festival. A partir de então, foram estabelecidas relações com eventos similares ocorridos em outros países, como em Cosquín, na Argentina, Viña Del Mar, no Chile e em outros grandes eventos representativos da música latino-americana.

Em 1997, o 15º Musicanto homenageou a música "No Sangue da Terra Nada Guarani" vencedora do 1º festival e considerada a música mais popular de todas as edições até então realizadas.

Vale lembrar também a realização dos festivais de folclore, a partir da 3ª edição do Musicanto. O acontecimento respaldava a filosofia do festival, acrescentando à dança ao espetáculo de músicas. Foram belos espetáculos realizados com a presença de delegações nacionais e internacionais. Para que o tempo não apague da nossa memória, vale lembrar a figura de Lourdes Heinze (in memorian) idealizadora e coordenadora desses festivais.

A história e a música são bens que lembram ao povo que ele é povo e ainda que seus personagens tenham vivido num tempo distante, eles permanecem no seio do povo e a morte nada pode contra eles.

Enfim, nestes quase trinta anos de existência, muitas luas já passaram e muitas águas correram por baixo das pontes do rio Pessegueiro, porém, o MUSICANTO aí está firme e forte, enfrentando e superando intempéries. Este ano, nos primeiros dias do mês de dezembro, sob a minha coordenação, ocorrerá a 24ª edição nas dependências do Centro Cívico e Cultural Antônio Carlos Borges. É uma volta às origens e a certeza do sucesso!

* Presidente da Oscip/Musicanto

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