Só com meia década de vida o Musicanto já era um festival em plena maturidade e podia superar rivalidades regionais e questionamentos com a superior qualidade de seu produto final: a música. Na opinião dos músicos: “O mais importante é a convivência. A gente recebe e passa influência. O encontro permite discussão e polêmicas e cultura sem contradição pobre, estanque”.
Estas palavras de Celso Viáfora ecoavam os princípios e idéias que mantinham o Musicanto vivo e com sua proposta de englobar o intercâmbio cultural com a América Latina. Zamba se pronuncia: samba... 1987 foi o ano da vitória de uma “zamba” que consagrou junto ao público do festival Elton Saldanha, seu autor como um dos talentos emergentes do novo nativismo gaúcho, um nativismo definitivamente nacional e latino-americano por excelência.
Este foi o ano de Baguala, uma zamba provocativa, de cadência dura e disposta a revirar a história em busca da verdade escondida, como mostram seus versos: / Baguala já tem muito lobo / No mesmo covil... / E eu quero cantar livremente / Um coração civil... / Nas ruas do Brasil / Mas quando mudará? /. Baguala ainda guarda intactas suas qualidades e inquietações.
